No Alabama, a corrida à nomeação Republicana para Governador conta com um candidato, Tim James, que atingiu a notoriedade com uma série de anúncios apelando aos valores mais retrógrados do eleitorado. O mais conhecido é este, onde promete acabar com o uso da lingua estrangeira (leia-se Espanhol) no exames de condução:
Ainda sobre a carta de condução - o único documento de identificação válido para a maioria dos Americanos - este apela também aos sentimentos anti-emigrante (leia-se Hispânicos) ao prometer que, se eleito, apenas aqueles com um documento válido poderão votar. A mensagem: as eleições (e os direitos) são para os genuínos americanos.
E claro, falando nos valores tradicionais, a família não podia faltar, desta vez como pretexto para falar das suas credenciais de "duro contra o crime", pegando no exemplo dos predadores sexuais para acusar os outros candidatos de "serem amigos" destes:
O primeiro anúncio de Blanche Lincoln, a incumbente senadora do Arkansas, no lançamento da sua recandidatura (que está ao rubro - em breve darei mais notícias). Este anúncio, bastante divertido, procura desligar a senadora das ligações a Washington, fazendo-a passar por outsider. Nos tempos que correm, é a posição de quase todos os candidatos incumbentes. Se não funciona, não é culpa minha, os outros é que são irresponsáveis. Votem em mim que eu ponho-os na ordem...
One tough lady! Embora pelos vistos não consiga pôr ordem na sala de aula...
Na Carolina do Sul, a candidata que lidera a corrida á nomeação Republicana para Governador(a), Nikki Haley, viu-se confrontada com acusações de infidelidade, que comprometem as suas chances. É nestas ocasiões que, em vez do anúncio de ataque (até porque as acusações não partem directamente dos adversários), lança-se o anúncio de defesa, destinado a repôr o bom nome.
Acusam-me de ser infiel? Pois apresento-vos o meu marido, aqui ao meu lado. Um bom exemplo de como, nos EUA, a vida pessoal dos candidatos é importantissima para a sua relação com os eleitores.
A história de como estas alegações nascem, e o jogo sujo por trás delas, aqui.
No Nevada, as primárias Republicanas para o senado estão em ebulição, com as candidatas Sue Lowden e Sharron Angle praticamente empatadas nas sondagens. A vencedora enfrentará o incumbente Democrata Harry Reid. Do campo de Sue Lowden nasce este magnífico anúncio de ataque. É de uma má-fé avassaladora, e inclui Tom Cruise (vejam com atenção...), mas é impossível não sorrir, sobretudo com o final:
...o candidato à nomeação Republicana para congressista pelo Idaho. Jovem, bem-parecido, conservador dos quatro costados, aprovado por Sarah Palin, pro-life, pro-gun, anti-Obama, anti-Pelosi, família perfeita, considerado um dos Young guns do Partido Republicano, enfim, tudo o que um candidato precisa para ir longe.
Tirando que Lucas Baumbach, candidato ao Senado também pelo Idaho (e também Republicano!), reparou num "pequeno pormenor" no seu discurso de candidatura:
Resultado: com esta, e muitas outras gaffes, Ward acaba de perder as primárias contra o desconhecido Raul Labrador, que vence quase sem ter gasto dinheiro nenhum - as tentativas para encontrar anúncios deste foram infrutíferas.
Toda a história de como o candidato modelo perde umas eleições aqui. E reparem depois na pickup truck que aparece no primeiro anúncio. Não é dele. E a partir daí foi sempre a descer...
O senador Arlen Specter serviu no senado por mais de 29 anos, pelo partido Republicano. No ano passado, sabendo que a sua recandidatura iria ser perdida nas primárias para um outro rival do seu partido, chegou a acordo com a administração Obama: mudava para os Democratas, e em troca teria o apoio do presidente nas primárias deste partido.
A sua campanha, aliás, foi inteiramente baseada neste apoio de peso que, esperava Specter, seria o suficiente para assegurar a reeleição:
Assim como o anúncio em que procurava convencer os eleitores democratas das suas credenciais liberais, contra a "extrema direita" (que, em abono da verdade, o impediu de concorrer pelos Republicanos como habitual).
A sua nova imagem: Democrat for Pennsylvania.
No entanto, as bases democratas, sobretudo os activistas que o conheciam bem, desconfiavam bastante desta nova imagem. O seu rival nas primárias, o congressista Joe Sestak, rapidamente pegou no manto de "Real Democrat". A apresentação é um anúncio positivo puro, com as inevitáveis credenciais militares e o drama familiar. Tudo muito, muito positivo, até o argumento que não era um "político de carreira", slogan sempre popular em todo o mundo:
Mas o toque de finados para Specter veio com um anúncio de ataque devastador, pegando numa frase dita numa entrevista, tirando-a do contexto, e repetindo-a com grande efeito. O sorrizinho cínico ajuda, assim como a associação tóxica a George W. Bush.
Specter ainda respondeu com este anúncio de ataque, bastante virulento, mas no final acabaria por perder a nomeação para o seu rival, acabando aí a sua longa carreira:
Este ano, com a saída de Arnold Schwarzenegger de Governador da Califórnia (por ter atingido o limite de dois mandatos), a corrida à posição está em aberto.
Do lado Republicano, dois candidatos travam uma batalha brutal pela nomeação do seu partido. Meg Withman, antiga CEO do eBay, levava vantagem por ser uma das figuras mais conhecidas do estado, com impecáveis credenciais de empresária visionária. Do outro lado, Steve Poizner, outro empresário bem sucedido mas bastante menos conhecido, começava com uma desvantagem de 61-11. A única maneira de se aproximar: uma barragem implacável de anúncios de ataque, durante meses seguidos, contra a sua oponente. Anúncios como este, pegando no assunto da emigração ilegal, em apoio da controversa lei do Arizona:
ou este, onde acusa Withman de nunca ter votado:
O resultado desta barragem negativa: 46-36 para Withman na última sondagem. Ou seja, os ataques fizeram com que a corrida ficasse bastante mais apertada, e que um desconhecido ganhasse visibilidade ao mesmo tempo que tira o lustro à sua rival. A principal razão pela qual este tipo de anúncios são tão utilizados. Quando não fazem ricochete, são terrivelmente eficazes.
Do seu lado, Withman aposta num mix de anúncios positivos, como este:
mas ao mesmo tempo, é obrigada a defender-se, com anúncios de "contra-ataque", em que ao mesmo tempo que ataca o seu oponente, o acusa de apenas recorrer aos anúncios negativos, na esperança de provocar o tal efeito de ricochete:
embora, à medida que a corrida aperta, lance também anúncios de ataque puros. Gosto particularmente deste, que não deve nada à subtileza, mas com um tema sempre popular. Buckle Up, Steve:
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